WONDERLAND: FOTÓGRAFA DO EP “SHE IS COMING” CONTA COMO FOI TRABALHAR COM MILEY E MOSTRA IMAGENS INÉDITAS
- admin

- 27 de jul.
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Atualizado: 31 de jul.
Hoje (27) ainda foram divulgadas nas redes fotos descartadas da era “She is Coming”, que devem estar na revista Wonderland! Confira:
Ainda AMAMOS essa estética ❤️
ATUALIZAÇÃO 31/07: Saiu a entrevista com a fotógrafa desse Photoshoot icônico da era SIC, Gray Sorrenti, onde ela fala como conheceu Miley Cyrus e como foi trabalhar no ensaio. Confira a tradução da entrevista na íntegra:

MILEY POR GRAY
Conversamos com a artista nova-iorquina Gray Sorrenti sobre seu acervo de imagens de Miley Cyrus e a sinergia criativa da dupla, marcada por uma estética punk.
Quando Gray Sorrenti tinha 19 anos, recebeu uma mensagem de texto anônima: "Eu. Preciso. Que. Você. Me. Ajude. A. Criar. Algo. Clássico." A mensagem surgiu enquanto ela conversava por FaceTime com uma amiga. "Pensei: 'Quem é essa?'", conta ela, hoje com 25 anos, de Nova York, onde está sentada "no ateliê de pintura de um amigo, no qual entrei escondida só para ficar em paz". Anos mais tarde, a mensagem seria imortalizada em seu próximo livro de fotografias, com lançamento previsto para outubro.
A remetente misteriosa era Miley Cyrus. "Ela conseguiu meu número de algum jeito", diz Gray, rindo. "Fiquei muito surpresa." Era 2019, e Gray já fotografava havia alguns anos, construindo aos poucos o que viria a ser sua linguagem visual inconfundível — repleta de uma intimidade que faz com que cada pessoa fotografada pareça expor seus sentimentos mais profundos, e vice-versa. "Tudo aquilo ainda era muito novo para mim na época", recorda ela.
A fotografia estava presente em toda parte durante sua infância. Na verdade, fazia parte do ambiente doméstico. Seu pai é o fotógrafo de moda Mario Sorrenti; sua avó, Francesca Sorrenti, é fotógrafa e stylist; seu falecido tio, Davide Sorrenti, ajudou a definir toda uma geração visual; sua tia, Vanina Sorrenti, também é fotógrafa de moda; e seu avô, Riccardo Sorrenti, é artista e pintor. Ela nasceu nesse meio, mas posicionar-se atrás das câmeras — e criar uma linguagem própria — foi um ato de escolha pessoal, e não algo inevitável.
“Acho lindo crescer cercada por aquilo que você faz, pelo que lhe interessa”, diz ela. “É como a família Medici ou os sapateiros: você transmite um ofício que, um dia, poderia desaparecer. Não há pessoa melhor para dar continuidade a essa tradição do que alguém da própria família.” Ela pensa o mesmo em relação a Miley. “Desde o momento em que Miley nasceu, seus pais provavelmente cantavam canções de ninar para ela. Isso é algo muito bonito. Costumo dizer que, no instante em que minha mãe me deu à luz, vi um flash, a pincelada de um pincel, cores diferentes. É como dizem: você é o que você come.”
“Nunca peguei a câmera pensando conscientemente: ‘Sou fotógrafa’”, ela continua. “É uma forma de usar as mãos. Quando criança, eu pintava. Meu pai pretendia ser pintor a óleo. Era o que ele queria fazer por causa do meu avô. Ele é um pintor a óleo incrível. É uma questão de ter crescido em meio a esse ofício, à arte, ao fluxo criativo e a toda essa emoção. Somos todos muito sensíveis, e isso serve como válvula de escape. Ainda pinto, ainda desenho, danço. Amo dançar. Canalizo todo o meu trabalho através da dança. Faço isso por meio da fotografia, do cinema. Sou obcecada por cinema. É isso que quero fazer. Não comecei pela fotografia. Comecei com uma ideia que abrangia tudo.”
Gray diz isso como se as categorias da própria arte fossem pequenas demais para o ofício que ela tenta descrever. Essa vontade de criar, essa elasticidade criativa — pura e sem amarras — foi o que uniu Miley e Gray logo após aquela mensagem de texto em 2019. A dupla percorreu o Brooklyn criando o material visual e o teaser do projeto de sete faixas da estrela pop, “SHE IS COMING”. Na capa, Miley aparece de braços abertos como um pássaro, vestindo uma camiseta da banda Sex Pistols (*Never Mind the Bollocks*) esticada sobre o tronco. A sensação de liberdade naquele momento é palpável.
“Todos nós conhecemos a Miley. Ela passa por fases. É isso que é legal nela. Ela se desafia e vivencia o processo. Ela é incrivelmente corajosa. Acho que aquele foi um momento muito honesto para ela, em que ela estava despindo tudo e se tornando uma mulher, compreendendo a si mesma como nunca antes. Até mesmo o fato de ela ter me pedido para fotografá-la foi algo incrível. Ela depositou sua confiança em mim, confiando que eu registraria uma imagem verdadeira dela — porque eu não sei como fazer uma imagem que não seja verdadeira. Para mim, é muito difícil criar uma imagem com a qual eu não tenha uma conexão pessoal.”
Essa honestidade permeia tudo o que Gray faz. Até mesmo o dia da sessão de fotos, livre de estruturas tradicionais, tornou-se um exercício de instinto. “Foi um dia mágico. Nós simplesmente deixávamos as coisas acontecerem naturalmente. A Miley transmitia uma energia e uma atitude lindas em relação a tudo. Lembro-me de uma das fotos, feita no metrô; ela nunca tinha andado de metrô antes. Foi um momento simples, mas extremamente revigorante.”
“Lembro que conseguimos um carro incrível e ela ia andando de skate, segurando na traseira dele”, ela continua. “Tínhamos uma atitude bem punk em relação a tudo aquilo, ao que significa fazer arte. Havia uma energia muito boa. Depois disso, mantivemos contato e nos tornamos amigas.”
Além de terem crescido em famílias onde a criatividade era menos uma profissão e mais um modo de vida, as duas compartilham algo mais difícil de definir. Um instinto de se lançar antes de pedir permissão. Uma destemor e um fogo insaciável para impulsionar sua arte, unidas por uma energia igualmente intensa — quase combustível — que parece, na mesma medida, feminina e masculina. É uma conexão enraizada no reconhecimento mútuo: duas mulheres que apoiam uma à outra, cada uma vendo na outra o mesmo impulso incansável de criar sob seus próprios termos.
“Algo que me inspira nela é o fato de ter começado tão jovem e continuar tão apaixonada, sempre correndo atrás do que quer. Ela sempre mira mais alto do que onde já está, e isso ressoa muito comigo, porque não acho que nada disso deva ter limites. Você deve sempre confiar em si mesma e ser capaz de se lançar de cabeça. Tento fazer isso sempre que possível.” Então, ela faz uma pausa. “Ela também ama a mãe mais do que tudo na vida. E eu amo a minha mãe mais do que tudo na vida.”
De fato, as imagens que Gray faz de qualquer uma de suas retratadas — Miley Cyrus, Rihanna ou Maggie Gyllenhaal — transmitem a sensação de conversas sinceras entre duas pessoas, como se sua lente fosse uma janela entreaberta para a intimidade de suas almas.
“Gosto de eliminar a interferência daquele grande objeto mecânico que fica entre mim e a pessoa fotografada”, conta ela. “Você não deve senti-lo. Essa é a beleza de fazer uma boa foto.” Para ela, trata-se simplesmente de um ato de humanidade, transmitido de geração em geração. “É quase como se você apenas piscasse os olhos e capturasse a imagem.”
Via: Wonderland.com




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