MUSIC OMH DÁ NOTA 60 PARA O “BASS PERSUADES”

Finalmente mais uma resenha! Estranhamente demorada, começam a sair mais avaliações para o álbum “Bass Persuades” de Miley. Confira a tradução do site MUSIC OMH, que deu nota 60 para o lançamento:
Marcando seu décimo álbum sob um novo nome artístico, a mais recente reinvenção da ex-estrela da Disney é tão intrigante quanto confusa.
Adotar um monônimo como artista é, sem dúvida, uma decisão ousada. Para alguns, funciona como acionar um interruptor, como aconteceu com Kylie Minogue. No caso de Marina & The Diamonds, apresentar-se simplesmente como MARINA consolidou sua independência e revelou um lado mais humano. No entanto, quando Miley Cyrus postou uma foto no Instagram com um filtro avermelhado e a legenda incisiva "MILEY", os fãs naturalmente se perguntaram o que motivou a mudança.
Seu décimo álbum de estúdio, que leva o nome do single principal, *Bass Persuades*, pode (ou não) responder indiretamente a essa pergunta. Após o sucesso estrondoso de "Flowers", muitas estrelas pop teriam optado por capitalizar em cima de um grande hit; Cyrus, por outro lado, escolheu um nono álbum experimental, descrito por ela como sua própria versão de *The Wall*, do Pink Floyd. Felizmente, seu trabalho mais recente mantém essa postura intransigente.
A maior surpresa é "Different Religion", facilmente a música mais interessante que ela lançou em anos. Começando com Cyrus rosnando "I’ve got my own god" (Tenho meu próprio deus), a faixa evolui para uma sonoridade densa e caótica de *industrial grunge* que, de forma intrigante, equilibra-se numa linha tênue entre a Britney Spears da era *Blackout* e o Nine Inch Nails. Com a participação da banda Model/Actriz, a música se destaca como um ponto alto inegável que desbrava territórios inesperados.
Além dessa mudança de direção marcante, o álbum apresenta uma lista de faixas bem mais enxuta. Com apenas nove músicas, não há espaço para excessos. Em alguns momentos, a obra remete ao otimismo de *Endless Summer Vacation* e à euforia do amor arrebatador — algo especialmente evidente em "Snow". Contudo, apesar da atmosfera gélida e do canto assombrado de "Together we both fall" (Juntos, nós dois caímos), a faixa não desperta o mesmo deslumbramento que as anteriores.
Uma linha de guitarra psicodélica em espiral complementa "Let’s Get Married", uma homenagem ao noivo de Miley, Maxx Morando, às vésperas do casamento. Esse é, sem dúvida, o momento mais humano do álbum. Evocando o melhor de seu disco de 2020, *Plastic Hearts*, a canção troca a pesada carga emocional pela esperança.
No entanto, por mais ambicioso que *Bass Persuades* possa ser, ele também pode ser frustrante. Embora baladas como "Orbit" e "Let’s Get Married" tenham seu apelo, fica um desejo latente por mais faixas que revelem seu lado mais visceral. O grande trunfo de *Different Religion* é ter marcado sua reinvenção com uma afirmação contundente. No teaser do álbum, Miley sugeriu fortemente uma nova direção voltada ao rock, tocando baixo durante toda a prévia da música. Fica a pergunta: que outras canções acabaram descartadas na edição final que poderiam ter tornado essa reinvenção muito mais empolgante?
Felizmente, "Innocent Ways" foi uma das que entraram no corte final. Enquanto a atmosfera solar de "Flowers" era acessível e leve, a sonoridade de electropop carregada de guitarras — na mesma linha da Lady Gaga da era *Born This Way* — soa muito mais ousada. Esse estilo parece ser exatamente o tom que deveria ter predominado em *Bass Persuades*. Ironicamente, a faixa foi produzida por Kid Harpoon, que emprestou seu talento a "Flowers" e a grande parte da discografia de Harry Styles.
Tanto pelo título do disco quanto pela estética visual, Cyrus sinalizou claramente que sua antiga persona havia ficado para trás. Isso marca o tipo de reinício que ela já vivenciou anteriormente — basta pensar em *Bangerz* e no provocativo *Can’t Be Tamed*. Desta vez, porém, a mudança pareceu mais intencional e madura, sugerindo uma guinada genuinamente surpreendente. Em vez disso, metade do álbum perde o fôlego sob o peso de faixas excessivamente mornas. Para cada canção confessional, ousada e repleta de efeitos eletrônicos como "Aftermath", surge outra, como "REDLIGHTS", que interrompe todo o ritmo do disco. No fim das contas, é inegável que *Bass Persuades* é um bom álbum, mas, com maior consistência, poderia ter sido o melhor de sua carreira até agora.




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