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ROLLING STONE DÁ NOTA 70 PARA O ÁLBUM “BASS PERSUADES”

Foto do escritor: admin
admin
há 5 dias
5 min de leitura

Finalmente um refresco! Uma das resenhas mais importantes para o Metacritic saiu, e foi uma nota 70 da ROLLING STONE. Confira a tradução da resenha completa:


MILEY CYRUS ENCONTRA SATISFAÇÃO EM NOVAS MOTIVAÇÕES EM ‘BASS PERSUADES’

Hits explosivos parecem não motivá-la mais — pelo menos, não tanto quanto o amor que a espera em casa ao fim da noite.


Na véspera do lançamento de seu novo álbum, *Bass Persuades*, Miley Cyrus disse a Zane Lowe, da Apple Music, que a vida na estrada representa uma grande ameaça à sua sobriedade, a qual depende fortemente de rotinas consistentes e de um ambiente familiar. Em vez de correr riscos, ela prefere ficar em um só lugar e fazer com que o público vá até ela — como acontecerá nos dois shows que ela fará no Hollywood Bowl. "É perfeito, porque as pessoas gostam de me ver apresentar e eu gosto de dormir na minha cama que parece um marshmallow", disse Cyrus. "Assim, nós dois ficamos felizes." Bem, mais ou menos — mas não exatamente.


Enquanto os fãs dramatizavam e analisavam a fundo a ideia de que "as pessoas virão até mim", houve outra parte da entrevista que passou despercebida. Pode não ter parecido tão significativa no contexto original, mas é um pequeno detalhe que parece crucial para compreender *Bass Persuades* e a artista que o criou.


Em certo momento, Cyrus reflete sobre o luto, a ansiedade e uma experiência de quase morte ocorrida em 2022 — e então menciona uma lembrança específica: a apresentação da música "Fly on the Wall" para um público de 250 mil pessoas. "Comecei a ter reflexões existenciais sobre quão pequena eu sou e a pensar sobre o tempo", disse ela. "E tudo isso enquanto eu cantava 'Fly on the Wall'." Ela brincou sobre não querer acabar com a energia do show com seus questionamentos existenciais durante as músicas antigas e de grande sucesso que o público fora ouvir. Cyrus apresentou muitas dessas canções antigas e populares naquela apresentação de 2022. Elas superavam em muito as músicas selecionadas de seu álbum da época, *Plastic Hearts*, que continua sendo seu disco mais sólido.


Cyrus não sobe aos palcos com frequência e já faz muito tempo que não mantém uma presença constante neles. Quando se apresenta, o formato de "grandes sucessos" funciona bem para ela, servindo para compensar essa escassez. No entanto, isso não parece sustentável. Ao ouvir *Bass Persuades*, é difícil entender como ela pode evoluir nessas circunstâncias.


As pessoas viajarão para ouvir “See You Again” e “We Can’t Stop”. Mas, aos 33 anos, Cyrus está muito distante de quem ela era quando criou essas músicas. Ao tentar resgatar alguma versão do que impulsionou a criação delas, o resultado é “Bass Persuades”, um single de trabalho divagante e com pouco a dizer. Ela repete 19 vezes que “a garotada não quer dançar”. Sua voz, geralmente uma força que exige atenção, soa desconectada da produção pulsante. Cyrus encerra o álbum com um remix industrial de “Bass Persuades”, feito pela banda de noise rock Model/Actriz, o que apenas a empurra ainda mais para o segundo plano. Felizmente, a maioria das oito faixas situadas entre essas duas se esforça mais para criar uma conexão.


"Bass Persuades" não está interessada em dança, mas sim totalmente voltada para a devoção. Cyrus não está nem aí para o que a garotada anda fazendo; ela quer falar sobre o seu homem. A banda Model/Actriz se junta a Cyrus mais uma vez em "Different Religion", uma canção de *gothic pop* sobre um homem que dirige um carro veloz e faz muito barulho. "Eu tenho o meu próprio deus", canta Cyrus. "Meu deus é um cara gato." Se o amor dela for parecido com a sonoridade avassaladora da faixa, deve ser algo intenso, mesmo que a letra pareça contradizer essa sensação. Em outros momentos, Cyrus encontra as palavras com mais facilidade ao cantar para sua musa, em vez de tentar nos descrevê-lo.


"Eu dobraria todo o espaço e o tempo para cair em suas mãos", canta Cyrus na comovente balada de piano "Orbit". Essa faixa de destaque, carregada de romantismo e sonhos, dispensa o brilho e o espetáculo — assim como a própria cantora tem feito ultimamente. Há uma doçura simples na forma como ela corre pelo corredor da igreja em "Let’s Get Married". No repertório de canções de amor de Cyrus, é um clássico instantâneo. Ela suaviza a história ao oferecer um vislumbre de como chegou àquele momento em "Snow". "Agora seu joelho está no chão enquanto estendo minha mão esquerda", ela canta. "Engula o nervosismo, pois o 'sim' já está na ponta da língua."


Essas canções soam especialmente puras e sinceras vindo de uma artista que passou por um divórcio e que, no passado, não resistiu a dizer a dois fãs apaixonados: "Espero que o casamento de vocês dê mais certo que o meu. O meu foi uma merda total". Cyrus não foge da destruição. Ela já encontrou joias entre os destroços e as ruínas antes. Desta vez, ela extraiu "Aftermath" de tudo isso. "Você já se sentiu em pedaços? Você pensa em mim de vez em quando?", ela pergunta. "Não fuja da pergunta." Quando não está escavando o passado, a única fonte real de sofrimento amoroso de Cyrus — em um álbum no qual ela, fora isso, demonstra total paixão — é sua irmã, aparentemente a pessoa a quem se refere a faixa “Innocent Ways”.


“Quero algo melhor para minha irmã / Ela só me liga tarde da noite, quando está chapada”, canta Cyrus no verso de abertura. Essa revelação que traz sobriedade contrasta com a sonoridade intensa e pulsante do baixo. “Será que ela mudou de número? / Tentei ligar três vezes / Será que ela está bem? Só chama.” Cyrus viveu muita coisa em seus 33 anos. Ela quer ser uma bússola, mas ainda está encontrando seu próprio caminho. Aprendeu a conhecer bem o medo e a ansiedade, sem permitir que chegassem perto o suficiente para dominá-la. Eles surgem discretamente em “REDLIGHTS”, uma faixa de synth-pop eufórica com acompanhamento de cordas. “A verdade é tudo de que precisamos, e também o que eu temo”, canta Cyrus. A faixa parece ser a demonstração mais clara e bem-sucedida do que *Bass Persuades* buscava alcançar, tanto em termos de sonoridade quanto de temática.


Contentamento. É isso que Cyrus vem buscando esse tempo todo. Ela se apega a esse sentimento como forma de resistir à busca incessante por um "algo mais" que nunca se concretiza. O álbum não transmite a sensação de que Cyrus esteja tentando alcançar um grande sucesso comercial — como ocorreu com *Endless Summer Vacation* — ou mesmo fazer a declaração artística que ela buscou em *Something Beautiful*. Seu legado já está consolidado: entramos na era das estrelas pop da geração Hannah Montana, e uma das músicas de maior sucesso no mundo atualmente, "Ain’t in LA", de Adéla, nasceu sob a influência de *Bangerz*.


O público volúvel do pop, que Cyrus um dia quis agradar, parece não ter mais qualquer influência sobre ela. Em meio ao som retumbante de "Bass Persuades", ela não ouve as contestações desafiadoras à ideia de que seu público a acompanhará aonde quer que ela vá. Eles não são o que a motiva — certamente não da mesma forma que o amor para o qual ela retorna ao fim do dia.


Ao chegar ao refrão de "REDLIGHTS", Cyrus reafirma seu compromisso de sempre viver na verdade. "Então, quando eu for chamada aos céus / Não temerei nada; até aproveitarei aquele último adeus / Pois tenho algo em que acreditar", ela canta. "E, meu amor, você é a razão / De eu voltar o rosto para a luz / Me entregar com amor e desaparecer na noite."

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