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SLANT MAGAZINE DÁ NOTA 50 AO “BASS PERSUADES”

Foto do escritor: admin
admin
19 de set.
2 min de leitura

A primeira nota do Metacritic para o álbum “Bass Persuades” foi divulgada! A SLANT MAGAZINE deu nota 50 para o álbum. Confira a tradução completa da resenha:


Crítica de ‘Bass Persuades’, de Miley Cyrus: um pop que não convence


As mudanças abruptas de gênero e tom do álbum impedem que o ouvinte se acomode.


“A música nos domina”, escreveu Miley Cyrus no anúncio de seu décimo álbum de estúdio, *Bass Persuades*. Por mais verdadeira (e vaga) que essa afirmação possa ser, nem ela nem a música em si soam muito convincentes. Na faixa-título de abertura, ela assume o papel de uma versão modernizada e glamourizada do Flautista de Hamelin, ao mesmo tempo em que convida os ouvintes para a pista de dança e os repreende por manterem os “olhos grudados na tela do celular”. O que, de outra forma, poderia soar como um desabafo inútil contra o mundo é equilibrado por claras homenagens sonoras a Britney, Madonna e Janet, resultando em um hino *dance-pop* que põe o corpo para mexer, mas carece da originalidade arrebatadora das melhores músicas de Miley.


Distinção estética e coesão temática são os ingredientes que faltam em *Bass Persuades*, já que as mudanças abruptas de gênero e tom ao longo do álbum impedem que o ouvinte se acomode e compreenda de fato qual seria a visão de Miley. A sonoridade *industrial noise-eletrônica* de "Different Religion" — que se beneficia dos sintetizadores agressivos e da programação afiada da banda de rock Model/Actriz, do Brooklyn — é imediatamente seguida pela balada *pop-rock* "Let’s Get Married", animada, porém pouco inspirada, e pela sentimentalista "Orbit".


Com apenas 10 faixas (uma das quais é um remix de “Bass Persuades”), torna-se difícil ignorar as escolhas mais intrigantes — ou desconcertantes — do álbum. “Snow” é uma canção de amor bastante banal, que parece ter sido concebida por algoritmo para não pertencer a gênero algum; já “Neon Signs” é um dueto lânguido com Andrew Wyatt, cujo timbre anasalado acaba ofuscado pelo contralto intenso e sedutor de Miley, e cujas falas sussurradas — em um tom de intimidade de quarto — oferecem todo o erotismo de uma parada em um motel de beira de estrada decadente: “Algumas pessoas dizem que sou estranho, mas outras acham que sou na medida certa”.


Há momentos em que o talento de Miley ganha destaque absoluto. A batida pulsante e os sintetizadores que lembram o zumbido de cigarras em “Aftermath” impulsionam sua performance mais enérgica no álbum, resultando em uma explosão de euforia avassaladora — e necessária. E quando Miley sobe a escala melódica com naturalidade, cantando com um toque de *twang* country a frase “Vou voltar meu rosto para o céu” sobre o som de cordas que parecem gemer na faixa country-pop “Redlights”, sua voz carrega aquele tipo de autoridade emocional capaz de nos fazer flutuar. São momentos como esses que tornam ainda mais intrigante a decisão de Miley de se voltar para um pop de andamento moderado — com produção e composição a cargo, principalmente, de Kid Harpoon e Mike Pollack.

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