WONDERLAND MAGAZINE: CONFIRA AS ENTREVISTAS DE MAXX MORANDO, TISH, NOAH CYRUS E MUITO MAIS
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Conforme anunciado, Miley Cyrus editou a nova edição da revista Wonderland, onde é capa neste verão e concedeu a entrevista que postamos aqui no início da semana.
Com sua edição, Miley escolheu os artistas e personalidades que seriam entrevistados também, incluindo sua mãe Tish Cyrus-Purcell, sua irmã caçula Noah Cyrus, seu noivo Maxx Morando; e as artistas Sky Ferreira, Lykke Li, 070 Shake, Kelela, Scout Willis, a banda Model/Actriz, entre outros.
Destaque para a entrevista de Maxx, onde ele conta como foi o pedido de casamento que fez para Miley no Japão. Confira as traduções das entrevistas:

Ele é o cara mais tranquilo, o baterista mais afiado e o amigo mais leal. É também o futuro marido de uma das maiores estrelas pop do século. Afinal, quem é Maxx Morando? E será que sua banda, Liily, é o próximo grande fenômeno do rock’n’roll de Los Angeles?
Maxx Morando conta a história de como pediu sua noiva em casamento. “Estávamos em Kyoto, no Japão”, começa ele, situando a cena enquanto afasta dos olhos a sua característica cabeleira castanho-escura e despenteada. “Por algum motivo — você vai achar isso tão louco quanto eu achei —, ela nunca tinha ido ao Japão antes. Eu também não, e nós dois queríamos ir há muito tempo. Chegamos a conversar antes da viagem sobre eu fazer o pedido, mas eu estava tentando manter segredo. Ela não estava tentando manter segredo, se é que você me entende. Então, tive que ser bem discreto. Fomos primeiro para Tóquio, passamos alguns dias lá e depois seguimos para Kyoto. Acho que ela desconfiava que o pedido viria, então esperei até o último momento do último dia para despistá-la o máximo que pude.”
“Demos uma volta pela área do hotel”, continua ele. “Havia um pequeno jardim externo que exigia atravessar uma tábua para chegar lá. Tinha uma placa dizendo que não era permitido passar; eu disse: ‘Que loucura, vamos lá’. Ela respondeu [imitando-a em tom de brincadeira]: ‘Não, está bloqueado’. Acabei convencendo-a, entramos e demos de cara com um beco sem saída — um lugar lindo, com aquele visual de floresta japonesa. Ela estava gravando vídeos e estava de costas. Foi aí que me ajoelhei e toquei no ombro dela.”
O músico de 27 anos não estava ansioso com a perspectiva de pedir a mão de Miley Cyrus em casamento. Pelo menos, não até cinco ou dez minutos antes. “Aí eu comecei a suar”, admite ele com um sorriso de canto de boca. “Sentia meu coração disparar. A gente cresce vendo filmes em que o cara se ajoelha e faz toda aquela cena, e sabe que é isso que se espera que você faça. Mas aí você se dá conta: ‘Certo, eu tenho mesmo que me ajoelhar’. Eu não queria fazer besteira, me atrapalhar ou deixar o [anel] cair.” Aquele leve nervosismo pré-apresentação parece justificado. Afinal, é um daqueles momentos decisivos da vida que — se tudo der certo — a gente vive apenas uma vez. E é uma situação que, naturalmente, ganha uma intensidade ainda maior quando a pessoa para quem você vai fazer o pedido é uma das musicistas mais famosas do planeta. Mas essa é a vida de Maxx agora. E ele não a trocaria por nada.
Meses depois de ficar noivo do outro lado do mundo, Maxx está relaxando no quintal de casa. Mais especificamente, dentro do seu Airstream — um estúdio improvisado onde sua banda, a Liily, se reúne para jogar conversa fora e gravar a maior parte de suas músicas. É um espaço cheio de personalidade, tanto no visual quanto na atmosfera; algo entre um galpão de jardim, uma nave espacial futurista, um ônibus de festa e um abrigo antiaéreo. Há espaço na medida certa para um monitor de computador grande e uma mesa de gravação, um rack de sintetizadores de dar inveja, uma coleção de guitarras e — claro — a preciosa bateria de seu dono.
Para alguns, a música representa um despertar. Para Maxx, ela está intrinsecamente ligada à sua própria essência. Nascido e criado em Los Angeles, ele já segurava baquetas antes mesmo de saber soletrar a palavra. Por volta dos sete ou oito anos, entrou para um clube extracurricular chamado School of Rock ("Eu sei, é algo que existe de verdade", ele exclama diante da minha surpresa) com um amigo de infância. Lá, conheceu Dylan Nash — que, uma década depois, se tornaria o vocalista de sua banda — e o guitarrista Sam De Le Torre. Mais tarde, conheceu o baixista Charlie Anastasis em uma aula de teoria musical no colégio católico só para meninos que frequentavam; a conexão surgiu da aversão àquela aula e do gosto em comum por bandas como Red Hot Chili Peppers, Death Grips, entre outras.
Dylan reapareceu quando Maxx, Sam e Charlie já estavam no final da adolescência e começavam a tocar como uma banda de improviso (*jam band*), sendo então recrutado como vocalista e compositor. Assim nasceu a Liily. Desde então, eles formam um grupo musical unido, há mais de 10 anos, enfrentando juntos os altos e baixos. "Acho que a nossa relação é quase fraternal", define o baterista. "Nos conhecemos desde crianças. Crescemos juntos."
O vínculo aparentemente inquebrável que os quatro compartilham tem rendido frutos. Combinando uma sensibilidade rock crua, uma veia punk e um faro apurado para a experimentação, o Liily fez turnês pelos EUA e pela Europa e participou de festivais como Lollapalooza e Bonnaroo. Em termos de discografia, eles lançaram o EP de destaque de 2019, *I Can Fool Anybody In This Town*; o aclamado álbum de estreia de 2021, *TV Not TV*; e, mais recentemente, um EP autointitulado em 2024.
Este último projeto, que leva o nome da banda, funciona como uma espécie de reapresentação. Eles romperam com a gravadora anterior e recuperaram sua urgência e autonomia artística, trabalhando com pessoas que conheciam pessoalmente, em vez de estranhos com quem haviam sido colocados para trabalhar. "O EP foi algo que montamos juntando o que tínhamos à mão. Convocamos amigos para atuar como produtores — eles são ótimos produtores, mas os conhecemos primeiramente como amigos. Nós os trouxemos para nos ajudar na produção."
*Liily* traz a melhor coleção de músicas da banda até hoje. É um trabalho raivoso, destemido, compulsivo e cinematográfico. As mixagens soam mais leves, mas a música parece mais pesada — com uma execução mais afiada, porém uma abordagem mais solta. E é um trabalho altamente eclético: uma faixa como "MOTIVATION" mergulha no caos do metalcore, enquanto a sonoridade hipnótica e minimalista de "IMITATE" remete a uma *jam* de *nu-wave* dos anos 80, e a atmosférica faixa de encerramento, "SWALLOW", soa como um hino de *surf rock*. "O EP foi, de certa forma, um recomeço", reflete Maxx. "Tipo: é isso que o Liily é agora. Preparando o terreno para futuros discos."
O Liily é presença constante no circuito de shows e nos círculos sociais de Los Angeles; foi assim que Maxx e Miley se conheceram. "Uma amiga da irmã do Sam — que toca comigo na banda — conhecia a Miley", explica ele sobre o primeiro encontro com a artista de 33 anos, em 2021. "Eles simplesmente armaram um encontro às cegas para nós. O que, do ponto de vista da Miley, acho que nem é muito possível, já que ela vive tão exposta aos holofotes." Maxx, alheio à cultura pop e praticamente desconectado das redes sociais, era o antídoto perfeito para Miley, que passara a casa dos vinte anos em relacionamentos muito expostos e estava exausta das rupturas que se seguiam. "Parecia que, se houvesse uma maneira de ela ter um encontro às cegas, aquele seria o encontro às cegas definitivo", diz ele. A conexão entre eles foi imediata, e eles "simplesmente nunca mais pararam de sair juntos".
Baterista de uma banda de rock de Los Angeles e dono de um visual atraente, Maxx não é estranho aos holofotes. Mas ser o acompanhante de Miley Cyrus — uma musicista vencedora do Grammy cujo nome é conhecido e amado por, literalmente, bilhões de pessoas ao redor do mundo — traz consigo uma atenção incessante. É o tipo de escrutínio que um cara discreto como Maxx preferiria evitar.
Mas o temperamento dele parece ter abafado o ruído daquela súbita cacofonia. Ele prefere manter distância do "parasocialismo" implacável do público e do olhar superficial e crítico da mídia. O relacionamento deles não busca a fama; ele convive com a Miley da intimidade do lar — não a Miley do tapete vermelho, dos palcos de grandes arenas ou da tela da TV.
"Quando a conheci, essa parte era estranha", admite ele sobre lidar com a exposição repentina. "Nunca tinha vivenciado situações como pessoas esperando por você na porta de lugares e coisas do tipo. Mas, com o passar do tempo, a situação meio que se inverteu. Sempre que vamos a algum evento, é aí que me lembro de quem ela é, sabe? Mas adoro acompanhá-la em certas ocasiões para apoiar o que quer que ela esteja fazendo."
O relacionamento também é frutífero no âmbito profissional. Eles colaboraram musicalmente nos últimos anos; Maxx coescreveu e produziu as faixas "Handstand" e "Violet Chemistry", do aclamado álbum de Miley lançado em 2023, *Endless Summer Vacation*. Ela o impulsionou a novos patamares criativos, motivando-o a dar o melhor de si e a produzir seu melhor trabalho. "Eu nunca tinha convivido com alguém assim antes de a conhecer", reflete ele sobre a influência dela. "Isso me deu uma perspectiva totalmente nova sobre a vida, a arte e a música. Ela é extremamente dedicada e determinada; quando coloca algo na cabeça — seja construir um pequeno cercado para uma tartaruga que temos —, ela sempre concretiza o objetivo. Quando se trata de música, a intensidade vai ao máximo. A maioria das pessoas que não conhece o mundo pop tem ideias equivocadas, mas ela é uma artista de verdade, em todos os sentidos. Ela participa de cada detalhe que você vê ou ouve. Seja na música ou no visual, nos negócios ou nas finanças. Tudo o que você vê carrega a marca única dela."
Agora noivos — desde o final do ano passado —, o casal vive uma fase de grande solidez, em uma trajetória ascendente de felicidade e segurança. E, no que diz respeito à banda Liily, as coisas também estão prestes a ganhar um novo fôlego: Maxx adianta que novas músicas já estão prontas e serão lançadas em breve. Com produção majoritariamente própria, o novo material promete ser o lançamento mais importante da banda até agora. “Aprendemos muito e agora estamos recomeçando do zero, ainda mais do que quando lançamos o EP homônimo”, diz ele. “O que vem a seguir é a representação mais honesta da nossa sonoridade. E um verdadeiro ponto de partida para trabalhos futuros.”
Bateria, sua banda de melhores amigos e Miley Cyrus. Maxx Morando está vivendo um sonho. “É”, ele ri de um jeito meio juvenil. “Acho que estou mesmo.”
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Muito antes de Miley alcançar o topo das paradas, havia Tish — uma apaixonada por música e a primeira fã de seus filhos. Agora, após duas décadas dedicadas a criar e gerenciar a carreira de uma das famílias mais bem-sucedidas do entretenimento no século XXI, ela, aos 59 anos, reflete sobre essa trajetória intensa.
Quando Tish Cyrus-Purcell sorri, duas fileiras de dentes brancos e perfeitamente simétricos brilham, cheias de possibilidades. Quando ela fala, seu sotaque característico de Nashville evoca as rádios country, drinques de uísque com refrigerante de cola em bares simples e o conforto de um jeans já amaciado pelo uso. Ao piscar os olhos, gesticular ou dar um beijo rápido em seu novo marido, o ator australiano Dominic Purcell, Tish irradia um magnetismo natural. No fim das contas, a única conclusão possível é: esta mulher é uma estrela.
Correção: Tish é uma constelação inteira. Com a única exceção de Kris Jenner, nenhuma mãe no planeta gerou tantas histórias de sucesso em Hollywood quanto Tish Finley — nascida em Ashland, Kentucky, e hoje com 59 anos. A lista de sua família parece uma ficha de elenco de Hollywood: Trace Cyrus, cofundador da banda Metro Station e seu segundo filho; a cantora e compositora Noah Cyrus, a caçula; a DJ Brandi Cyrus, a mais velha, que apresenta com Tish o *Sorry We’re Cyrus*, um podcast de entrevistas sobre cultura pop; Braison Cyrus, cantor, compositor e produtor, o penúltimo dos filhos; e, claro, a terceira da prole: o fenômeno pop global Miley Cyrus.
Não existiria Miley sem Tish. Pode-se interpretar isso literalmente, mas, considerando que Tish coadministra a carreira de Miley há mais de duas décadas, a afirmação também deve ser entendida sob uma ótica profissional. "Muitas vezes, como a Miley trabalhava demais quando criança, ela não tinha muitos amigos", relembra Tish. "Então, eu era amiga, mãe e empresária dela. Acho que, às vezes, essa mistura é uma receita para o desastre, mas, por algum motivo, funcionou muito bem para nós. Simplesmente fluiu com naturalidade."
Segundo Tish, a entrada de Miley na indústria foi um completo acaso. É difícil imaginar isso, dada a posição de Miley hoje: uma superestrela global com discos de platina múltipla, mais de 72 milhões de unidades equivalentes vendidas e três prêmios Grammy. Quando pré-adolescente, ela visitava uma amiga de Tish em Los Angeles, que acabou levando-a a uma reunião em uma agência. Os agentes se encantaram por ela, ofereceram representação e logo a enviaram para um teste para o papel de Lavagirl no filme *As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl*. Miley não conseguiu o papel, mas pegou gosto pela atuação — e chamou a atenção da Disney.
Ela já havia voltado para casa, no Tennessee, quando a Disney ligou novamente, desta vez para falar sobre uma estudante do ensino fundamental que levava uma vida dupla como estrela pop. Quando a então menina de 12 anos foi escalada para o papel-título de *Hannah Montana*, Tish fez as malas e partiu para o Oeste. "Eu realmente não fazia ideia do que estava fazendo", recorda Tish. "Mas peguei a família toda — todos nós — e nos mudamos para Los Angeles."
Há uma razão pela qual as teorias sobre o multiverso são tão intrigantes: a ideia de que rumo nossas vidas poderiam ter tomado se tivéssemos feito escolhas diferentes em momentos cruciais é inerentemente fascinante. Miley, provavelmente, não precisa imaginar isso. As estrelas mirins que a antecederam e não contaram com uma rede de apoio muitas vezes chegaram à vida adulta carregando o peso de problemas amplamente divulgados. Com Tish, Miley sempre teve uma mão amiga.
“Eu via tudo o que acontecia com muitos desses jovens do meio artístico e acho que foi por isso que decidi estar presente em cada etapa do caminho”, relembra Tish. “Ela estava passando pela adolescência, então precisava de um dos pais por perto. Acredito que isso foi fundamental para manter a Miley com os pés no chão enquanto ela crescia nesse mundo... Eu simplesmente estava lá. Eu era muito presente na vida dela.”
Quando Tish diz que esteve presente em cada passo da carreira de Miley, ela fala sério — especialmente quando esses passos esbarravam nos inevitáveis percalços da vida. Ela estava lá no Teen Choice Awards de 2009, quando Miley gerou polêmica ao dançar sobre um carrinho de sorvete durante uma apresentação de “Party in the U.S.A.” que marcou uma mudança cultural.
“Não era para parecer, de forma alguma, um poste de pole dance”, recorda Tish. “Tudo ali remetia a coisas que os americanos adoravam. O poste servia literalmente apenas para ela se segurar e não cair do carrinho.” Foi ideia de Tish adicionar mais de 200 extensões individuais ao cabelo de Miley. Na época, Miley sabia que precisava de uma transformação ao deixar de lado a peruca de Hannah para iniciar um novo capítulo, mas se recusava a cortar o cabelo curto. A solução de Tish foi inspirada no visual da atriz e cantora Vanessa Hudgens, cujas madeixas incrivelmente longas e volumosas sinalizavam uma nova maturidade.
“Quando colocamos as extensões, o visual dela mudou drasticamente”, diz Tish. “As pessoas ficaram enlouquecidas. Virou um grande acontecimento.”
Talvez a única ocasião em que Tish esteve ausente tenha sido durante a polêmica sessão de fotos para a capa da *Vanity Fair* em 2008, realizada pela fotógrafa Annie Leibovitz, na qual a imagem final mostrava Miley de costas para a câmera, com as costas nuas e envolta apenas em um lençol branco. No final do dia, Tish deixou o set para outro compromisso, passando o bastão do gerenciamento da carreira de Miley para sua própria mãe — a avó de Miley. Noah Cyrus, então com oito anos, estava sentada no colo de Annie, desempenhando alegremente o papel de assistente.
“Se eu estivesse lá, não sei se teria visto problema naquela foto com o lençol”, admite Tish. “Para mim, [não era] algo sexual; era apenas um retrato lindo. A repercussão negativa que ela teve por causa disso... Para mim, foi algo muito louco.”
Gerenciar o início da carreira de Miley significava que Tish estava sempre dividida entre incentivar a ambição da filha e proteger sua juventude. Um equilíbrio difícil de manter. A discografia inicial de Miley parecia páginas de um diário adolescente — aos 15 anos, lidando com as primeiras desilusões amorosas em “7 Things” e, aos 17, exigindo autonomia em “Can’t Be Tamed” —, mas os críticos adultos ainda a viam sob a ótica rígida da Disney. A expectativa de continuidade ignorava a realidade de que seu público, e ela mesma, estavam amadurecendo simultaneamente. Como resultado, até mesmo manifestações de independência típicas da adolescência eram frequentemente interpretadas como provocação deliberada, em vez de desenvolvimento pessoal. O que poderia ter sido compreendido como uma jovem artista experimentando identidade e controle tornou-se, na verdade, um campo de batalha público em torno de sua imagem, com cada mudança de estilo ou afirmação lírica sendo minuciosamente analisada. Essa tensão colocava Tish em uma posição particularmente difícil: ela precisava transitar entre dar espaço para Miley evoluir criativamente e lidar com a inevitável reação negativa que acompanhava essa evolução.
“[A música de Miley] vinha realmente de suas experiências de vida. Em ‘7 Things’, ela estava namorando Nick Jonas, que talvez tenha sido seu primeiro namorado. Naquela época, Miley estava começando a romper barreiras, e certamente conversávamos sobre isso, perguntando coisas como: ‘Você não está indo rápido demais?’” Mas foi durante as filmagens de *A Última Música* (The Last Song) — a adaptação da obra de Nicholas Sparks que trazia Miley ao lado de seu agora ex-marido, o ator australiano Liam Hemsworth — que Tish se lembra de Miley realmente fazendo a transição da “adolescência para a vida adulta”.
*A Última Música* foi filmado na Carolina do Norte durante o verão de 2009, apenas 18 meses antes de ir ao ar o memorável episódio final de uma hora de *Hannah Montana*. Ao refletir sobre o filme recentemente, Miley afirmou que a obra proporcionou ao público uma experiência visceral, pois as pessoas viam dois jovens se apaixonando "em tempo real e na vida real". Tish concorda. "Ao assistir, você vê a arte imitando a vida e vice-versa", diz ela, fazendo coro à filha. "Pude acompanhar a Miley com seus colegas de elenco, e eles realmente se tornaram amigos dela."
Naquele verão, eles não estavam apenas trabalhando e fazendo um filme; estavam também crescendo juntos como amigos de idades semelhantes, amadurecendo não só profissionalmente, mas também pessoalmente. O amadurecimento de Miley se consolidou com a chegada de seu quarto álbum de estúdio, *Bangerz*. À medida que os ursos de pelúcia, as línguas de fora e o *twerking* — marcas registradas daquela fase — ganhavam destaque, Tish e sua filha, então com 20 anos, viram-se diante de uma onda de críticas sem precedentes. "Olhando para trás agora, aquilo parece tão inofensivo comparado ao que se vê hoje em dia", comenta Tish. "[Mas] acho que aquele foi o momento em que Miley começou, de fato, a abraçar e a amar esse lado do meio artístico." Antes de atender ao chamado de Hollywood, Miley Cyrus era uma talentosa líder de torcida no Tennessee, impressionando sua treinadora pela dedicação e disciplina ("Essa ainda é a maior qualidade que vejo nela até hoje", diz Tish). No entanto, Tish faz questão de ressaltar que a filha está longe de ser uma *workaholic* obsessiva. Mesmo quando enfrenta uma agenda exaustiva, Miley prioriza "amigos, família e diversão".
"Por mais que ela trabalhe, ela cuida de si mesma", reflete Tish. "Então, ao mesmo tempo em que está imersa em um processo criativo, ela também demonstra grande autoconsciência e reconhece a necessidade desse equilíbrio em sua vida."
Ultimamente, é Tish quem tem buscado esse equilíbrio entre vida pessoal e profissional — desta vez, em benefício próprio. O *Sorry We’re Cyrus* nasceu da química natural entre ela e sua filha mais velha, Brandi, e do mal-estar vivido em meio à pandemia; no entanto, sua evolução guarda semelhanças com o *Therapuss*, de Jake Shane: um *talk show* de formato longo voltado para celebridades, que equilibra entretenimento e exploração emocional, raramente recorrendo à fama da família para atrair ouvintes. Um exemplo disso é que o episódio com Miley Cyrus acabou sendo inesperadamente ofuscado por uma entrevista viral — realizada após a saída do *reality show* — com Olandria Carthen, de *Love Island*; a vulnerabilidade rara demonstrada por ela encantou o público, provando a capacidade de "Mama Tish" de deixar as pessoas à vontade e baixar a guarda. Embora a moradora de Nashville tema que seu sotaque caipira comprometa a percepção de sua inteligência, seu marido argumenta que essa é justamente a sua maior qualidade. "[Tish] tem o dom de desarmar as pessoas", afirma Dominic. "Ela consegue conduzir conversas difíceis."
Lidar com questões difíceis é essencial para uma boa empresária, e ainda mais para uma mãe. No entanto, ultimamente, Tish às vezes sente que não exerce bem nenhum dos dois papéis. Ver o mundo se unir para celebrar os 20 anos de carreira de Miley provocou uma estranha distorção, como se estivessem vivendo uma situação à la *Sexta-Feira Muito Louca*. Acontece que observar o espetáculo da lateral do palco não diminui a grandiosidade do artista — mesmo quando esse artista é seu próprio filho. Mas é exatamente assim que Tish quer que seja. Ela pode até ser mãe de Miley, mas é também sua maior fã. "A Miley é um gênio criativo incrível. A mente dela é algo surreal. Quer dizer, é inevitável que isso afete alguém quando o público se volta contra você, mas, de certa forma, acho que isso só a fez se empenhar ainda mais", diz Tish, entusiasmada. "A Miley estava sendo ela mesma."
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Não é fácil ser a caçula de uma dinastia musical como o clã Cyrus. Mas, 11 anos após iniciar sua trajetória artística solo, Noah Cyrus soube aproveitar ao máximo sua maior herança: a família.
Em uma família que alcançou o status de superestrela antes mesmo de você nascer, como descobrir quem você deve ser? Para Noah Cyrus, a irmã mais nova de Miley Cyrus, essa tem sido a questão fundamental.
Nascer em uma das famílias mais reconhecidas do mundo da música traz uma contradição peculiar: as oportunidades surgem cedo, mas as expectativas também. Seu pai, Billy Ray Cyrus, já era uma lenda da música country antes mesmo de ela ter idade suficiente para cantar junto as músicas dele. Seu irmão mais velho, Trace, foi cofundador da Metro Station, uma das bandas de pop-rock mais famosas da era do MySpace. Sua irmã, Miley, tornou-se uma das maiores estrelas do pop, dominando tanto a música quanto a televisão. Na família Cyrus, a música não é apenas o negócio da família — é a essência deles.
Para Noah, hoje com 26 anos, o fato de ela estar destinada a fazer música nunca foi realmente uma questão em discussão. Na verdade, o desafio era descobrir como imprimir sua própria identidade, separando-se do ruído que inevitavelmente acompanha um sobrenome famoso. A resposta veio pouco antes de ela assinar seu primeiro contrato discográfico, aos 16 anos, quando se apaixonou pelo álbum *I Forget Where We Were*, do cantor e compositor inglês Ben Howard. "Isso me inspirou a pegar uma caneta e tentar compor minhas próprias músicas", diz ela. "Como uma grande fã de música e ouvindo o que eu amava, eu sabia qual queria que fosse meu objetivo final."
Outro momento decisivo ocorreu quando Labrinth — o compositor britânico responsável pela trilha sonora cultuada das duas primeiras temporadas de *Euphoria* e um dos ídolos de Noah na composição — ouviu uma demo inicial de seu single de 2017, "Stay Together". "Ele entrou em contato para trabalharmos juntos, e a parceria com ele na minha primeira música, 'Make Me Cry', ajudou a consolidar minha trajetória", conta ela. "Ter a aprovação dele em relação às minhas composições significou tudo para mim."
E essa vocação para contar histórias é algo que sempre esteve no centro da arte de Noah. Muito antes de seu segundo álbum, *I WANT MY LOVED ONES TO GO WITH ME* — lançado em 11 de julho do ano passado — se tornar sua obra mais madura e completa, ela já havia construído um repertório pautado pela honestidade emocional. Assentada sobre uma base *country* com melodias de *indie-rock*, instrumentação de inspiração *folk* e toques de *pop*, ela narrava histórias de desilusão amorosa, dependência, ansiedade e depressão, oferecendo conforto e esperança em meio à expressão pessoal.
“A nostalgia foi, na verdade, a chave para este disco. Muitos dos pensamentos e sentimentos abordados no álbum envolviam encarar a infância sob a perspectiva da adulta que me tornei, e como coisas daquela época me afetam agora”, ela revela. “O tempo foi um tema central nas discussões sobre o disco. Essas músicas — e o próprio título do álbum — surgiram da minha percepção de que o tempo é curto demais e de que não passamos tempo suficiente com as pessoas que amamos.”
Embora o tempo possa ter sido o tema central do disco, a família sempre foi sua âncora. Cada detalhe da obra remete às pessoas que a moldaram. “Há, na verdade, três gerações da família Cyrus envolvidas no meu álbum”, ela conta. A faixa “Apple Tree” traz seu avô recitando um hino de sua própria autoria, que mais tarde inspirou o título do álbum. A segunda faixa, “Don’t Put It All On Me”, conta com a participação da banda de indie-folk Fleet Foxes e foi composta em parceria com seu irmão Braison — que também a apresentou à banda quando ela tinha 12 anos — e com o compositor e produtor Ben Cramer, radicado em Nashville.
Há também a música “With You”. “Foi a primeira canção que meu pai compôs no quarto de infância, na casa dele em Flatwoods, Kentucky, e que ele gravou mais tarde”, ela revela. Um processo que se mostrou catártico. “Parecia uma música só para nós dois”, ela explica. “Perguntei se poderia incluí-la no disco, conectando tudo à linhagem da família Cyrus e ao nosso amor pela família e pela música.”
Após 11 anos de carreira, dois EPs e dois álbuns lançados, essa filosofia de colocar a família em primeiro lugar tem sido uma vantagem inegável. Eles sempre foram uma base sólida à qual recorrer, e Noah, por sua vez, tornou-se uma expressão completa dessa vivência. A indústria musical já está acostumada a acolher famílias famosas — de Jackson 5 a Jonas Brothers, de Sister Sledge a HAIM, passando por Beyoncé e Solange. Nesse cenário, temos também Miley e Noah. “É muito bom ver nós duas evoluindo e crescendo musicalmente”, diz Noah. “Acho que, principalmente, sob a perspectiva dos nossos pais.”
Às vezes, as duas vidas e carreiras se cruzaram. Noah fez várias participações especiais na série *Hannah Montana*, da Disney, quando tinha seis anos. Em outubro de 2020, elas apresentaram um dueto marcante da música de Noah "I Got So High That I Saw Jesus" — faixa de seu segundo EP, *The End of Everything* — para o *Backyard Session* da MTV. Agora, aos 26 e 33 anos, elas parecem mais alinhadas do que nunca, com as duas filhas mais novas da família Cyrus assumindo o status de noivas: Noah está noiva do designer alemão Pinkus. Será que outra união resultará na criação de uma música em parceria? "Eu adoraria fazer uma música com a Miley no estilo de 'High', do álbum *Plastic Hearts*", diz ela. "Algo que transborde essa harmonia familiar."
Mas, além dos laços de sangue, Noah reuniu uma lista de músicos de peso como colaboradores em seu novo disco. De Ben Callahan — famoso artista de indie-rock dos anos 80 — à lenda Blake Shelton, passando pela estrela em ascensão do Sul, Ella Langley, e pelos nomes consagrados do country Orville Peck e Stephen Wilson Jr., esse elenco de apoio impressionante enriquece a edição *deluxe* do álbum. Em sua fábula musical com toques de country, ela reúne artistas que compartilham seu amor pela composição e pela narrativa. "É a primeira coisa que observo em uma música: quando conseguem transmitir uma expressão honesta e com a qual o público se identifica, e quando a verdadeira identidade e a veia artística vêm claramente deles mesmos", afirma.
Ao ampliar sua atuação para além da composição — aventurando-se na produção sonora e na instrumentação e assumindo um papel mais prático neste álbum —, Noah mudou a forma como ouve a si mesma, e não apenas a Miley. Não apenas como musicista, mas como artista completa. "Sempre senti uma conexão profunda com a dinâmica musical, em que os instrumentos se alinham para criar momentos memoráveis em uma canção. É isso que tento trazer para o meu trabalho musical", diz ela. "Fiquei imensamente grata pela confiança dos meus colaboradores — o produtor Mike Crossey e o produtor executivo PJ Harding — em me deixar assumir o papel de produtora. PJ e eu temos uma relação muito aberta e especial, o que nos permite ser mais vulneráveis."
Uma das formas de expressar essa vulnerabilidade é no palco. Falando da Carolina del Norte, ela se junta ao cantor e compositor Alex Warren — dono do sucesso "Ordinary" — em sua turnê *Finding Family On The Road*. Vestindo corsets e vestidos longos com detalhes em renda, ela joga a cabeça para trás em verdadeiro estilo rock 'n' roll, girando pelo palco como uma personagem saída do folclore do Sul dos EUA. "Desde os oito anos, tenho uma conexão profunda com a personagem Elphaba, de *Wicked* [o musical da Broadway que virou um sucesso de bilheteria em Hollywood]. Tento incorporá-la em todos os meus shows", diz ela, rindo. No mundo de Noah, onde o country, o romance gótico e o folclore se encontram sob as luzes do palco, ela pode ser o que quiser.
Mas o lugar pelo qual ela mais se sente atraída é onde tudo começou: em casa. "Cresci em uma fazenda enorme e, desde a primeira lembrança que tenho da vida, meu pai nos cercou de natureza e música", reflete ela. "Ele também me apresentou ao amor e à conexão espiritual com a equitação." Isso a levou a uma filosofia importante — transmitida originalmente por seu avô paterno ao pai dela e que acabou chegando até ela: "O exterior de um cavalo faz bem ao interior de um homem".
Majestosa, etérea, forte; é uma personificação perfeita para Noah enquanto ela navega por essa nova fase da vida — uma em que ela não luta mais contra a própria liberdade. Na capa do álbum *I WANT MY LOVED ONES TO GO WITH ME*, ela surge como uma feiticeira de penas e longos cabelos ondulados cor de ébano, de costas, olhando para um cavalo branco radiante. Ali, ela reconhece a beleza que ainda consegue brilhar em meio a uma escuridão quase total — uma lição que Noah teve de assimilar e definir por conta própria. Pois, apesar da fama, do alvoroço e das bênçãos que a vida lhe proporcionou, seu coração se volta para coisas simples: "Passar tempo com cavalos e com meus cachorros é a única coisa que quero fazer quando não estou criando música."
Para Noah, parece que manter-se próxima de casa foi o que lhe deu forças para ir longe. "O que espero ter aprendido com as lições e as palavras que me foram ditas — por meus avós e na igreja — é que nos reencontraremos com nossos entes queridos", ela conclui. E, quando chegar ao outro lado: "Estarei ao lado do meu cavalo, Constantine. E se ele não estiver lá... eu gostaria de falar com o gerente."
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070 Shake: “Eu não dou muita bola para isso [a fama]”, ela me diz quando o assunto do estrelato surge. “Não acho que eu seja [famosa]. No contexto de *Hannah Montana*, eu sou mais como a Miley. Apenas relaxando e vivendo minha vida normal.” Fora das turnês de divulgação e dos ciclos de lançamento de álbuns, é preciso alguém como Miley Cyrus para tirar Shake de seu casulo parisiense e colocá-la diante de uma câmera para falar com um jornalista sobre o que ela tem feito.
“Acho que... sabe, crescer sob os holofotes, estar em um tanque de tubarões, ser resiliente e ter coragem suficiente para ser você mesma em meio a tudo isso...”, ela reflete sobre o legado da mente brilhante do pop. “Sempre me inspirei nela e no exemplo que ela representa para artistas e para as pessoas em geral. Sempre fui muito fã. Ela é incrível.”
Assim como "Malibu Miley" em sua própria analogia com Hannah Montana, Shake se declara uma apaixonada pela Cidade dos Anjos. É um sentimento raro de ouvir em meio a uma multidão de artistas desencantados que parecem guardar ressentimento da própria indústria ligada à geografia da cidade. "É que quem é de verdade sabe como as coisas funcionam", ela compartilha. "Eu amo a história e a cultura. É simplesmente um lugar lindo. Estou aqui em Paris sonhando acordada agora, falando de LA", ela ri. "Eu realmente amo aquela música da Joni Mitchell, 'California'. Não me leve a mal, Paris é uma das minhas cidades favoritas no mundo, mas quando você aterrissa na Califórnia depois de tanto tempo fora, a sensação é muito forte."
"Em LA, não dá para ser pretensiosa; você tem que aproveitar as coisas divertidas e não tentar ser 'descolada' demais, sabe?", ela diz. Tipo, ir ver a estrela novinha em folha da Miley Cyrus na Calçada da Fama de Hollywood — a primeira pessoa nascida nos anos 90 a ganhar uma? "Com certeza. Isso é muito legal. Parabéns para ela."
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Wonderland: Esta é uma edição especial editada pela Miley, o que significa que ela te escolheu como uma de suas artistas favoritas. Quando você pensa na Miley, o que vem à sua mente? Você tem uma música favorita dela?
K: Em primeiro lugar, a Miley tem uma voz linda. O timbre dela sempre soou muito maduro, mesmo quando ela era bem jovem. Parece que ela já viu de tudo. Tipo Stevie Nicks. Ela expressa emoções com uma urgência que realmente me cativa. Ela canta. Ela já teve tantas fases, e eu admiro a disposição dela em se reinventar e mudar de ideia. Ela também está tentando expressar diferentes facetas de si mesma. Em termos de música favorita… A minha seria “Rooting for My Baby”, do álbum Bangerz. [Toca a música no celular e começa a dançar imediatamente.]
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Wonderland: Preciso perguntar sobre a Miley, já que esta revista é uma celebração dela e ela tem apoiado a banda de forma tão aberta. O que você acha que ela entendeu sobre a banda antes das outras pessoas, e como vocês a conheceram?
CH: Nós a conhecemos em um show que fizemos com a banda do noivo dela, o Maxx — a banda Lilly —, no The Observatory, em Santa Ana. Antes mesmo de trocarmos qualquer palavra, eu já sabia que a música favorita dela na época era "Matador" [do Model/Actriz]. Fui até ela e acabamos dançando juntos, cantando a letra da música. A compreensão que ela tem da banda — ou o que ela viu em nós — parece guardar semelhança com a energia que ela trouxe para a cena durante a era *Bangerz*: uma postura de confiança destemida e sem pedir desculpas ao afirmar a própria verdade. Além disso — assim como comentamos antes sobre a importância do público para nós —, ela é alguém que realmente apoia e defende seus fãs. Há uma afinidade nessa energia, com certeza.
RR: É, sempre houve um fio condutor muito forte nos lançamentos dela: a busca por algo a mais, o esforço para ir além do esperado e o mergulho de cabeça, sem medo das expectativas ou de atendê-las. Isso é algo que sempre achei admirável. É também como tentamos abordar nosso próprio processo criativo: mergulhar e buscar algo além do que esperamos de nós mesmos. É uma honra ela parecer enxergar uma afinidade aí, porque existe um espírito punk no que ela faz, da mesma forma que carregamos um espírito punk no que fazemos, apesar de estarmos fora da sonoridade punk.
CH: Somos todas umas mulheres audaciosas.
Ela influenciou você criativa ou pessoalmente de alguma forma?
CH: A cantar melhor, com certeza [risos]. Acho que o tipo de mensagem que você pode transmitir como estrela pop é algo que tento trazer para os palcos onde tocamos. Ela é uma artista extremamente talentosa, e sua música transita por tantos universos sonoros diferentes que, ao vê-la se apresentar, busco inspiração e amplio a linguagem que desenvolvi por conta própria para levar esse tipo de energia a ambientes diferentes. Mas a intensidade dela no palco, sua sinceridade e sua presença são aspectos que realmente me esforço para trazer aos nossos shows.
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Wonderland: A maioria dos artistas tem a privacidade necessária para amadurecer e descobrir quem realmente são; Sky, por outro lado, teve de passar por isso sob os holofotes. "Havia muitas coisas sendo projetadas sobre mim naquela época", reflete ela. "E, por natureza, sou uma pessoa muito tímida e reservada." Alguém que a compreendia era Miley Cyrus. As duas se tornaram amigas enquanto faziam turnê juntas durante a era *Bangerz*, em 2014, ambas lidando com mudanças drásticas em suas carreiras e identidades públicas. "Toda essa loucura aconteceu com nós duas ao mesmo tempo", diz Sky. "Estávamos ambas em um período de grande transformação em nossas vidas e carreiras. Tínhamos exatamente a mesma idade."
O que ela mais recorda, porém, é a sensação de normalidade ao lado de Miley. "Sentávamos para ouvir Britney Spears e íamos ao karaokê — coisas que jovens de 20 anos fazem, como ficar bêbadas", diz ela, rindo. "Na verdade, era algo bem saudável e tranquilo." Mais do que tudo, ela finalmente se sentiu compreendida. "Sinceramente, ela foi meio que a minha primeira amiga da mesma idade na indústria. Ajudou muito ter alguém que passava pela mesma situação."
Hoje em dia, Sky trabalha de forma independente e — sim — está finalizando o tão falado álbum *Masochism*.
*Masochism* — o sucessor de *Night Time, My Time*, cercado de expectativas e adiamentos — existe em fragmentos; em 2019, Sky apresentou algumas de suas músicas ao vivo e lançou o single "Downhill Lullaby", seguido por "Don’t Forget" em 2022. Ainda sem data de lançamento para o álbum completo, surgiu na internet em 2021 um movimento de fãs chamado "Free Sky Ferreira" — semelhante a campanhas como "Free Britney" e "Free Fiona Apple" —, exigindo sua liberação da gravadora e o lançamento de *Masochism* (ou qualquer que seja o título final de seu segundo álbum). "Sinto que as pessoas já estão cansadas de me ouvir dizer isso", comenta ela, rindo. "Mas estou terminando meu álbum agora mesmo."
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Wonderland: […] seu sonho fundamental: ser respeitada como compositora. Um reconhecimento semelhante veio quando ela coescreveu “Beautiful That Way” para Miley Cyrus, para o filme *The Last Showgirl*, de Gia Coppola. Seu amigo próximo Andrew Wyatt — responsável por algumas das músicas mais onipresentes do século XXI (para artistas como Lady Gaga, Dua Lipa e Billie Eilish) — sugeriu que Miley a cantasse, quando a faixa ainda estava sendo composta. “Ela simplesmente topou e devolveu a música imediatamente. O fluxo de trabalho foi lindo.” Lykke ficou fascinada por Miley pela primeira vez ao ouvir “The Climb”. Por isso, “ter uma música que nós três escrevemos juntos, e ouvi-la cantando, foi algo incrível. Ela tem uma das melhores vozes da atualidade e é uma estrela consagrada.”
“Beautiful That Way” foi, talvez, um caso raro em que uma música avulsa proporcionou a Lykke realização criativa por si só. Ela é, por definição, uma artista de álbuns. “Não sei por que abandonamos o conceito de Lado A e Lado B do vinil. Para mim, aquele era o formato perfeito.” Ela quer que *The Afterparty* seja ouvido do início ao fim. “Felizmente, fiz um álbum bem curto, então mesmo quem tem pouca capacidade de concentração consegue ouvi-lo todo.” Ela conta que houve críticas à duração reduzida da obra — menos de 25 minutos. “Mas eu penso na narrativa. A obra está completa? Você mede quantos minutos durou o sexo? Ou quantas revelações importantes você teve?”
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Wonderland: Adoro o fato de a Miley defender...
SW: Perseverança, integridade e compaixão. Ela é uma profissional exemplar, e sempre a respeitei profundamente.
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Aos 13 anos, keshi aprendeu a tocar violão por conta própria, inspirado por *Drake & Josh* — série que, de alguma forma, fez com que as seis cordas parecessem o caminho mais garantido para conquistar uma namorada. Aos 15, ele passava o tempo trancado em seu quarto de adolescente em Houston, Texas, aprendendo a compor, gravar e produzir música. Depois veio a faculdade, onde o artista começou a se formar como enfermeiro oncológico. Por um tempo, ele levou uma vida dupla ao estilo Hannah Montana: salvava vidas durante o dia e, à noite, publicava discretamente sua mistura de R&B, lo-fi hip-hop e pop melódico para uma legião crescente de fãs na internet. Seus sonhos musicais deram certo. Em 2019, keshi assinou com a Island Records e deixou o estetoscópio de lado de vez. Em 2022, seu álbum de estreia, *GABRIEL*, entrou na parada Billboard 200, impulsionado por bilhões de reproduções e por uma base de fãs atraída por suas composições de tom confessional e íntimo. Seu segundo álbum, *Requiem*, chegou em 2024, fundindo as influências de sua infância — punk rock, emo acústico e John Mayer — com reverbs atmosféricos de guitarra e vocais doces e etéreos. A música de keshi muitas vezes transmite a sensação de um hematoma que vai perdendo a cor enquanto cicatriza ao sol. Rumores sobre um terceiro álbum já começaram a circular, com uma foto recente ao lado de Zedd alimentando especulações sobre uma possível colaboração. Ainda assim, keshi mantém uma aura de mistério e discrição.
Se eu pudesse cantar um dueto de karaokê com a Miley, seria... "Don’t Stop Believing", do Journey, sem sombra de dúvida.
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Véspera de Natal de 2007: Sarah Barthel e Josh Carter — amigos desde a pré-escola no interior do estado de Nova York — reencontram-se durante as férias e decidem começar a fazer música juntos. Buscando inspiração em artistas tão diversos quanto J Dilla e Sonic Youth, a dupla desenvolveu uma sonoridade que mistura música eletrônica, hip-hop, shoegaze e psicodelia, criando algo totalmente singular. Quase duas décadas depois, o Phantogram continua sendo um dos nomes mais distintos da música alternativa. O que começou como uma parceria criativa entre amigos de longa data resultou em cinco álbuns de estúdio, mais de um bilhão de reproduções em plataformas de streaming e colaborações que vão desde a formação do projeto Big Grams com Big Boi (do Outkast) até trabalhos com artistas como Deftones, Future Islands, Tom Morello e Miley Cyrus. Hoje, o catálogo da dupla continua a ressoar com novos públicos; sua música permanece tão difícil de situar no tempo quanto de categorizar, mas continua sendo tão reconhecível instantaneamente como sempre.
Via: Wonderland.com




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